Grupo de estudos feminista debate os desafios para a luta das mulheres em tempos de pandemia e ofensiva conservadora

Grupo de estudos feministas - 09-04-20

Dando continuidade às atividades do grupo de estudos feminista, o Centro Feminista 8 de Março, junto com a Marcha Mundial das Mulheres, realizou hoje, 09, uma reunião virtual para debater o texto “As mulheres resistem! Desafios para o feminismo em tempos de ofensiva conservadora”, um documento publicado pela Marcha Mundial das Mulheres em 2016.

O texto alerta para a incorporação de discursos feministas por setores das elites, com enunciados que reforçam o individualismo e a meritocracia, e que, no fundo, despolitizam e reduzem o sentido de autonomia e igualdade, e mantêm intocadas as estruturas que sustentam as desigualdades desse sistema. Deste modo, a publicação aponta a solidariedade e o internacionalismo como princípios fundamentais para a luta das mulheres, assim como “a necessidade de uma transformação sistêmica que acabe com o capitalismo, o patriarcado, o colonialismo e o racismo”.

As participantes observaram que, mesmo tendo sido elaborado há 4 anos, o texto permanece atual: “o texto nos mostra que não estamos num lugar que a gente não conhece, a nossa luta é a mesma, contra a ofensiva neoliberal e o sistema capitalista”, afirmou Andrea Souza, militante da Marcha Mundial das Mulheres em Mossoró.

As reflexões também fizeram um paralelo entre o texto e a forma como a sociedade brasileira vem lidando com o cenário de pandemia imposto pelo novo coronavirus, alertando para como o capital, mesmo diante de uma situação de calamidade, tenta se impor sobre a vida das mulheres: “a gente tem escutado direto as pessoas falarem sobre estratégias para salvar o sistema, para manter o mercado, e pouco se fala sobre o que realmente importa, que são as pessoas. Nós não queremos salvar o sistema” declarou Brisa Bracchi, militante da Marcha em Natal.

Além do debate, a ocasião proporcionou um momento de reencontro e de reorganização para a luta: “Foi muito bom participar desse encontro. Nós estamos isoladas fisicamente nesse momento e precisamos nos manter unidas. Eu estava precisando de um momento assim”, afirmou Arineide Carlos, militante da Marcha no município de Governador Dix-Sept Rosado.

O texto completo está disponível em uma publicação da Sempreviva Organização Feminista (SOF), e pode ser acessado através do link: http://www.sof.org.br/wp-content/uploads/2018/01/Portugue%CC%82s-web.pdf

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