Na última semana, o Centro Feminista 8 de Março e a Marcha Mundial das Mulheres, ambas representadas pela companheira Adriana Vieira, membro da Coordenação Executiva da MMM no Brasil, marcou presença em mais uma edição da Escola Internacional para Facilitadoras e Facilitadores (IFOS) Berta Cáceres em Honduras, que contou com a presença de 81 pessoas de 22 países, sendo África do Sul, Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, Quênia, República Dominicana e Uruguay.
A abertura da escola homenageou a militante feminista hondurenha Berta Cáceres, assassinada em 2016, e Nalu Faria, também militante feminista brasileira falecida em 2023, demonstrando que embora não estejam mais entre nós a sua luta segue. E assim, a escola, é uma convocação para continuar a resistência e a luta por liberdade para todas.
Durante o primeiro dia da escola, foram discutidas as ferramentas políticas e o funcionamento da escola, que se fundamentam na educação popular feminista decolonial. A abordagem de educação popular feminista busca construir coletivamente as bases para a autonomia das mulheres, de modo a construir alternativas antissistêmicas capazes de construir mudanças e esperança, assim como condições para respostas estruturais na sociedade. Entre as ferramentas discutidas, destacam-se a construção da comunicação popular e a importância da mística revolucionária nas lutas e processos de formação.
Nos dias seguintes, houve debates sobre a geopolítica mundial, com ênfase na compreensão crítica dos sistemas de opressão e na construção de alternativas para desmantelá-los. Utilizando a metodologia lúdica “Berta Cáceres TV”, as participantes compartilharam suas experiências e os impactos que a participação na escola teve em seus territórios e como esse processo de formação tem contribuído para suas organizações e suas ações locais.

Além disso, foram abordadas as diversas frentes do feminismo, como o feminismo socialista, negro abolicionista, sindicalista, decolonial e comunitário, reconhecendo suas contribuições para o fortalecimento da luta das mulheres em diferentes continentes.
Debates sobre os desafios de ser facilitadora na formação política e uma análise dos contextos globais das participantes também foram centrais, ressaltando os desafios enfrentados, como fundamentalismo religioso, feminicídio, e militarização, mas também a resistência contínua dos movimentos sociais.
“Foi muito importante participar desse espaço de formação feminista internacional. Essa formação não se resume apenas ao conhecimento e uso de metodologias de educação popular, mas também ao entendimento de como essas metodologias se inserem em um projeto político de transformação do mundo. Nesse processo, é essencial incluir a igualdade, justiça e o reconhecimento da diversidade de mulheres e pessoas dissidentes de gênero que somos. Isso contribuirá muito para os processos de formação em nosso território”, afirmou Adriana. Ela também destacou a importância de fazer parte da Comissão de Síntese: “Participar de uma comissão como essa exige atenção constante e a capacidade de sintetizar longas discussões em momentos cruciais, como transformar um debate de uma manhã em um resumo de um minuto.”

A escola finalizou com a entrega de certificados e uma mística de fortalecimento das lutas que seguem em cada continente.