Com auditórios completamente lotados em Mossoró e Natal, o Seminário “Feminismo Urgente” reuniu cerca de 600 pessoas entre as duas atividades e mostrou a força e a necessidade desse debate no cenário atual. Além da comunidade universitária, participaram grupos da Economia Solidária, equipes da gestão da educação de escolas de Parnamirim, estudantes do IFRN e também da UERN de Pau dos Ferros, demonstrando como esse debate mobiliza diferentes espaços de formação e organização.
Organizado pelo grupo Corpopolítica (UFRN), pela Marcha Mundial das Mulheres, pela DIAAD/UERN, em parceria com a Faculdade de Serviço Social, pelo Centro Feminista 8 de Março e pelos mandatos da deputada Isolda Dantas e das vereadoras Brisa e Plúvia, o seminário debateu que a misoginia não é um fenômeno isolado, mas uma engrenagem que conecta machosfera, red pill, big techs e interesses políticos. Ao reunir pesquisadoras, militantes e parlamentares, o debate revelou como o ódio às mulheres é produzido, reproduzido e transformado em lucro e poder.
“Quando a gente fala da misoginia na internet a gente precisa entender que isso não é uma coisa que acontece só com a violência contra as mulheres, a gente está cada vez mais numa sociedade estruturada pelo domínio dessas plataformas e empresas digitais em todas as dimensões sobre a nossa vida. Isso não é normal. Não é natural. E não precisa ser assim”, destacou Tica Moreno, socióloga e doutora em Sociologia (UPS), integrante da Coordenação Nacional da Marcha Mundial das Mulheres e da Sempreviva Organização Feminista (SOF). Já Bruna Camilo, socióloga, cientista política e doutora em Ciências Sociais (PUC Minas), pesquisadora em gênero e misoginia, reforçou: “A misoginia é secular. Só que hoje, com a internet, se tornou um suporte para essa estrutura misógina. E existe uma ofensiva desses homens e grupos ressentidos com o avanço dos direitos das mulheres.”
Além da análise crítica, o seminário apontou caminhos concretos de enfrentamento: fortalecer grupos de mulheres já auto-organizados, potencializar o grupo de estudos Nalu Faria, construir uma ofensiva permanente contra a misoginia e levar esse debate também às escolas.
O seminário foi um primeiro passo de um processo que precisa ser fortalecido e ampliado. Em um contexto de avanço da desigualdade e da violência de gênero, a informação, a consciência crítica e a auto-organização seguem sendo ferramentas centrais.



