CARTA DAS MULHERES DO SEMIÁRIDO

Trabalhadoras rurais da Marcha Mundial das Mulheres e organizações e movimentos aliados constroem “Carta das Mulheres do Semiárido”.

A Carta foi construída durante reunião das mulheres trabalhadoras rurais da região Oeste do Rio Grande do Norte para discutir as alternativas, com um olhar das mulheres, de convivência no semiárido em períodos de estiagem.

Leia a carta na íntegra e compartilhe com seus contatos e redes sociais.

 

 

 

Marcha Mundial das Mulheres

Entidades da ASA- Potiguar

Mossoró, 31 de maio de 2012

À Presidenta Dilma Roussef

À Governadora Rosalba Ciarlini

Aos Prefeitos e Prefeitas Municipais

À População Nordestina

Com a seca não tem colheita nem na terra nem no mar.

 A folha que eu trouxe representa a seca do mar.

(Tatiane –Tibau/RN)

Nós, as mulheres, há muito tempo marchamos para denunciar e exigir políticas de convivência com o semiárido e que ponha o fim da opressão que vivemos por sermos mulheres.

Das nossas lutas feministas e das lutas dos demais movimentos sociais nasceram experiências inovadoras de espaços de liberdade para nós mulheres, para nossas filhas e filhos, para todas as pessoas que depois de nós caminharão sobre a terra semiárida.

Estamos construindo um Nordeste no qual a diversidade é uma virtude; tanto a individualidade como a coletividade são fontes de crescimento; onde as relações fluem sem barreiras; onde a palavra, o canto, os sonhos e a caatinga florescem. Esse Nordeste considera a pessoa humana e os bens naturais como uma das riquezas mais preciosas. Um Nordeste no qual reinam a igualdade entre mulheres e homens, convivência com nossas condições climáticas, o respeito e fortalecimento de nossa cultura e a socialização do trabalho doméstico e do cuidado. Este Nordeste, nós somos capazes de construir, nós estamos construindo.

Somos mais da metade da humanidade. Damos a vida, trabalhamos, amamos, criamos, militamos, nos divertimos. Garantimos atualmente a maior parte das tarefas essenciais para a vida e a continuidade da humanidade. No entanto, em momentos críticos como esse período de estiagem continuamos sendo as mais atingidas, por sermos responsáveis por grande parte da produção mercantil e pela produção do viver.

Diante de todos os argumentos já apresentados na carta da ASA/Brasil, na carta do Campo Potiguar e pela nossa experiência como militantes, lutamos por um novo modelo de construção de políticas para o semiárido, tendo como referência a convivência com a situação climática.

Nós da Marcha Mundial das Mulheres reafirmamos que queremos construir um Nordeste onde a exploração, a opressão, a intolerância e as exclusões não existam mais; onde a integridade, a diversidade, os direitos e liberdades de todas e todos sejam respeitados; onde a condição climática não seja mais um meio para ampliar a exploração de homens e mulheres nordestinas. Para isso propomos:

  1. Fortalecer as experiências de convivência com o semiárido protagonizadas pelas mulheres, como forma de se contrapor ao modelo de desenvolvimento disseminado pela economia verde;
  1.  Ampliação e desburocratização dos créditos com abate e reavaliação do saldo devedor; em especial o PRONAF Mulher, bem como liberação imediata do Apoio Mulher;
  1. Políticas públicas estruturantes que garantam o acesso à água, como a cisterna de placas, poços artesanais próximos aos quintais, entre outros;
  2. Resgatar o aprendizado das trabalhadoras e trabalhadores com a energia eólica adaptada, especificamente os cata-ventos, fundamentais para a produção dos quintais;
  3. Ampliação dos quintais produtivos que no momento de estiagem é a principal fonte de alimento familiar, bem como o programa PAIS para as diversas comunidades;
  4. Dentro do programa de construção de creches do governo federal, priorizar a construção de creches para o meio rural, como forma de socializar a tarefa do cuidado e garantir a alimentação das crianças no meio rural;
  5. Incluir como parte das necessidades imediatas da produção do viver, a limpeza da casa, banho das pessoas e lavagem de roupa. Neste sentido, o programa 1 Terra  2 Águas deve considerar a produção e as tarefas do bem viver (cuidado com as pessoas);
  6. Ampliação do valor do Bolsa Família por tempo indeterminado até que cesse a estiagem;
  7. Fortalecer a autodeterminação econômica das mulheres com ampliação do acesso aos programas como POPMR, ATER Mulheres, PNDTR, PAA/Compra Direta;
  8. Readequar imediatamente a legislação para que as mulheres possam voltar a comercializar as polpas de frutas através do PAA e PNAE.

Marcha Mundial das Mulheres

Subscreve essa carta:

Entidades que compõe a ASA- Potiguar:

Terra Viva,

Atos,

Sertão Verde,

Coopervida,

Pedra de Abelha,

Centro Feminista 8 de Março,

Comissão Pastoral da Terra

CEACRU

Comissões de Mulheres dos STTR

Comissão das mulheres do STTR Apodi; Comissão das mulheres do STTR Caraúbas; Comissão das mulheres do STTR Governador Dix-Sept Rosado; Comissão das mulheres do STTR Barauna; Comissão das mulheres do STTR Filipe Guerra; Comissão das mulheres do STTR Upanema;

Demais Entidades e Articulações: Rede Xique-Xique; Coordenação Oeste  de Mulheres Trabalhadoras Rurais; COOTIPESCA; Grupo Mulheres em Ação; PDA Margarida Alves; PDA Jucurí.

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