AUTO-ORGANIZAÇÃO | Mesa debate alternativas de resistência para as mulheres do semiárido

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O segundo dia de atividades do Encontro de Mulheres do Semiárido foi iniciado com a realização da mesa temática “A auto-organização das mulheres no semiárido brasileiro e suas alternativas de resistência”.

Essa atividade proporcionou a interação e a troca de experiências entre as participantes. Diversas mulheres compartilharam suas histórias de lutas e superação, falando sobre as dificuldades enfrentadas com seus companheiros em casa, as dificuldades em relação a conseguir conciliar o casamento, a casa e um trabalho, ou até mesmo a dificuldade que elas enfrentaram para poder participar dos espaços políticos e de debate, como é o caso de Ana Maria da Silva, produtora rural e guardiã de sementes da tradição, lá do Assentamento Maurício de Oliveira, zona rural do município de Assú/RN, que relatou ter enfrentado muitos problemas com o marido para poder participar dos espaços: “passei muito tempo sem ir pros encontros porque ele não deixava, ele dizia sempre que se eu fosse ele não deixava eu entrar dentro de casa, então, através das reuniões, do CF8, que tinham um acompanhamento com a gente, foi aí que eu fui ficando mais forte e consegui num dia enfrentar ele e ir. E não deixei mais de ir”. 
 
Algumas mulheres falaram ainda sobre casos de violência doméstica e abuso, dificuldades que elas só conseguiram enfrentar e superar através do feminismo. Leia Soares, agricultora e presidente do sindicato rural de Massaranduba/PB, ressaltou o papel a Marcha mundial das Mulheres nesse enfrentamento: “a marcha mundial das mulheres tem sido um espaço público e de expressão muito forte de denúncia contra a violência. As mulheres que vão pra Marcha nunca voltam as mesmas. A Marcha tem tirado da invisibilidade as experiências e tem sido esse espaço de denúncia”.
Andrea Buto, pesquisadora, professora da Universidade Federal de Pernambuco e militante da Marcha Mundial das Mulheres, abordou a importância da auto-organização das mulheres na luta pelo reconhecimento de seu trabalho: “ser reconhecida como trabalhadora também implica em ser reconhecida como sujeito político nos movimentos sociais mistos do campo”. Andrea falou ainda sobre o momento político que o Brasil vive e sobre qual a postura deve ser adotada pelas mulheres em relação a isso: “Não estamos mais no tempo das políticas públicas e de parceria com o Estado, que está para ser denunciado por nós. Precisamos reforçar a resistência, pensar estratégias de lutas com autofinanciamento e reorganização dos territórios a partir da agroecologia, da reforma agrária e dos fundos rotativos”. 
 
O Encontro Mulheres do Semiárido, que acontece entre 06 e 08 de novembro de 2017 em Natal/RN, é um evento organizado pelo Centro Feminista 8 de Março em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e reúne cerca de 150 mulheres de todos os 10 estados da região – Minas Gerais e toda região Nordeste. 

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