O Centro Feminista no IV ENA: política força e organização em defesa da agroecologia e democracia unindo campo e cidade

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No IV ENA, mais de 50% de participantes e 90% da comissão organizadora foi composta por mulheres. A delegação do Rio Grande do Norte não fugiu desta estimativa. As mulheres potiguares não só eram mais da metade da delegação como também, além de participar do encontro, no geral, coordenaram diversas atividades no IV ENA, desde a plenária de mulheres, feira de saberes e sabores, oficinas e tenda territorial sobre a Chapada do Apodi. Pelas mãos das mulheres: política, força e organização em defesa da agroecologia e da democracia unindo campo e cidade.

A Plenária de mulheres abriu o IV ENA com muita energia trazendo os rios da história e memória das mulheres na agroecologia. A atividade reuniu ribeirinhas, benzedeiras, camponesas, indígenas, agricultoras urbanas, pescadoras artesanais e quilombolas, dentre outras, para fortalecer participação das mulheres nos outros espaços de debate no evento e para afirmar que: “Somos memória da agroecologia”. Na coordenação da Plenária, Beth Cardoso, do GT de Mulheres da ANA, e Conceição Dantas da Marcha Mundial das Mulheres e Centro Feminista 8 de Março, animaram e costuraram as falas das mulheres dos diversos movimentos que constroem e afirmam que: “Sem feminismo não há agroecologia”.

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Com diversas instalações artístico-pedagógicas dos diversos biomas brasileiros, as mulheres do RN também representaram as lutas e resistências do território. Na tenda da Caatinga II, ao lado da instalação da Chapada do Araripe, PE, a Chapada do Apodi se apresenta através de um cordel que resgata 30 anos de luta na região. O cordel feito por Dona Francina Mota, agricultora de Apodi, enfatiza o fazer agroecológico e a resistência aos projetos de perímetro irrigado e exploração do aquífero Jandaíra, além de destacar a organização popular e a resistência das mulheres. Entre as várias formas de resistência ao projeto do DNOCS, as mulheres têm tido um papel fundamental. São elas que estão à frente das lutas nos seus quintais produtivos, na insistência de permanecer nas suas terras fazendo agroecologia e auto organização e mobilizações locais e internacionais como a campanha 24 horas de Ação Feminista com o lema “Somos todas Apodi”, junto à Marcha Mundial das Mulheres, em 2012.

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Na tarde da sexta, 1, ocorre o Seminário Temático Águas e Agroecologia: o papel da agroecologia na defesa das águas como bem comum afirma que no IV ENA “Somos terra, somos vida, somos água”, como cantada canção de João Bosco, artista popular cearense. Coordenado por Rejane Medeiros, do GT de Mulheres da Ana, do Centro Feminista 8 de Março e Marcha Mundial das Mulheres, o seminário trouxe discussões acerca dos conflitos do hidro e agronegócio nos territórios e a experiência de convivência com o semiárido e tecnologias sociais como forma fortalecer as resistências e criar alternativas em defesa das águas.

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Durante o seminário, um destaque para as Mulheres do Semiárido que apresentaram alternativas construídas para a convivência. Itacíria Medeiros, agricultora do Assentamento Monte Alegre, Upanema/RN, fala da experiência de auto organização de mulheres e de reuso de água. Ela conta que em 2013, o Centro Feminista, com co-financiamento da União Europeia, junto com o grupo de mulheres que participa, o Lutando para vencer, realizou a experiência de reuso de água: “A gente viu que poderíamos ter outras tecnologias sociais. As mulheres já costumam reutilizar a água, mas a partir da nossa organização, pensamos numa nova tecnologia para aproveitar melhor a água que a gente usa em casa. Em 2015 nós recebemos um prêmio do banco do Brasil para poder replicar o projeto”. E continua: “E por que não ser construído pelas mulheres? Construímos os tanques de reúso aproveitando o mesmo esquema das cisternas de placas”, diz Itacíria.

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No último dia do IV ENA, um ato público movimentou o centro de Belo Horizonte com 10 mil pessoas denunciando os retrocessos do governo golpista nas políticas para o campo e a cidade e as ações criminosas de grandes empresas que destroem a natureza e a vida das pessoas. Na ocasião, as mulheres realizaram uma ação direta em frente ao Memorial de Minas Gerais da Vale, museu de arte e cultura patrocinado pela mineradora Vale. Com falas e uma performance artística, as mulheres do MAM, MMM, MMC, MAB e MPA, rememoraram Mariana e o crime ambiental de contaminação do Rio Doce: “A vale não vale nada!”.

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Seguindo com batuques e voz ativa, as mulheres do RN pisaram ligeiro neste IV ENA graças a força da auto organização: pela vida das mulheres, pela agroecologia e pela democracia.

 

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