10 anos da Feira de Mansidão: autonomia, auto-organização e protagonismo transformando a vida das mulheres

Sorrisos estampados no rosto, muita música e pés ligeiros para dançar forró pé de serra ao vivo marcaram o último sábado, 7, na realização da Feira da Agricultura Familiar do Sítio Mansidão, em Apodi/RN. Na edição comemorativa de 10 anos, se via casais de todas as idades em folia, mesas cheias, famílias inteiras, crianças, jovens, pessoas mais velhas. Vinha gente de todo lado prestigiar: pessoas de Mansidão e do entorno aproveitaram o espaço e tudo que ele oferecia.

Jerimum agroecológico, manteiga da terra, derivados do leite e biscoitos sortidos estavam entre os produtos expostos. Tinha artesanato com palha, bordados, produtos a base de plantas fitoterápicas, comes e bebes e até serviço de internet aberta. O público desfrutou de um ambiente não só de comercialização, mas também de socialização comunitária e entretenimento. No espaço, organizado pelo Grupo de Mulheres em Busca da Igualdade com apoio do Centro Feminista 8 de Março e outras parcerias, dá pra dançar a noite inteira, jantar, conversar, se divertir.

A feira pode ser compreendida, nesse sentido, como um espaço para fortalecer a organização e a identidade comunitária e ainda para visibilizar a auto-organização das mulheres, é o que disse Rejane Medeiros, da coordenação do CF8 e que acompanha o grupo. “Ela [a feira] é importante também para as mulheres venderem sua produção, mas é também um espaço de dar visibilidade ao trabalho que elas realizam, de dar visibilidade ao processo de auto-organização das mulheres. Todo mundo olha e vê que a feira é organizada por elas”, enfatizou.

Rejane faz questão de destacar a iniciativa como uma oportunidade de proporcionar a autonomia e fortalecer o protagonismo das mulheres de Mansidão: “elas realizam, elas organizam, elas vão à busca de apoio, patrocínio para a realização da feira; elas pensam e organizam a arrumação, elas coordenam, elas fazem a abertura, elas quem coordenam todo o processo. Acho que isso é muito importante, inclusive pra comunidade. A comunidade espera essa feira todo ano”, contou. Além disso, explicou que o Centro Feminista sempre participa, contribui com a organização e assessora o processo, mas que “é uma feira muito protagonizada por elas”.

A iniciativa surgiu com o pensamento de levar para as pessoas a produção do grupo e mostrar a auto-organização das mulheres. Magneide de Oliveira, do Grupo de Mulheres, relatou na abertura do evento que a primeira feira foi um evento bem pequeno, “só lá dentro do prédio, a gente recorda muito bem”. Ela contou que não teve forró pé de serra, como nessa última edição, apenas uma exposição dos produtos.

No seu décimo ano, a feira vem conquistando mais espaço: “a cada ano as mulheres vêm se aperfeiçoando, buscando cursos, né? Temos derivados do leite, temos as plantas medicinais, temos os artesanatos que são muito fortes daqui, e assim as mulheres, cada uma, tem sua produção”, declarou Magneide Oliveira. O público também cresce: “vejo muitas pessoas que participam conosco desde o primeiro ano e que são nosso público fiel, e assim a gente fica muito feliz. E a cada ano vem crescendo o público, a gente sempre vê pessoas novas”, acrescentou animada.

Entre representantes e instituições presentes, Agnaldo Fernandes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais (STTR) de Apodi, Centro Feminista 8 de Março, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do RN (EMATER), Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (SEDRAF), Rede Xique Xique de Comercialização Solidária e associações comunitárias.

Arineide Carlos, técnica do Centro Feminista, avaliou que a Feira da Agricultura Familiar de Mansidão é a prova de que a auto-organização das mulheres é algo transformador e que contribui para fortalecer a autonomia dessas mulheres. “Esse é um espaço onde as mulheres expõem sua produção, mostram que são capazes de produzir e comercializar. É [nesse] espaço que elas quebram o machismo existente nas comunidades. E pra nós que fazemos o acompanhamento ao grupo é muito importante ver as mulheres construindo sua autonomia e sendo protagonistas da sua própria história”, pontuou.

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