I FENAFES discute produção, comercialização, soberania alimentar, autonomia dos povos e territórios e protagonismo de mulheres

Foto: Wigna Ribeiro

A cidade de Natal sediou, entre os dias 15 a 19 de junho de 2022, a primeira edição da Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fenafes),  iniciativa da Câmara Temática da Agricultura Familiar do Consórcio Nordeste (Coordenada por Fátima Bezerra), por meio das secretarias de Estado do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (Sedraf/RN), Emater-RN e Fundação José Augusto (FJA).

Foto: Ellen Dias

Além dos pavilhões com os stands da agricultura familiar e economia solidária a programação teve a realização de vários eventos. O primeiro deles, o II Encontro de Mulheres Rurais do Nordeste aconteceu logo no primeiro dia e debateu a importância do trabalho das mulheres, da agroecologia, das políticas públicas e os desafios e lutas das mulheres rurais. Ainda durante o encontro, foi anunciada a 7ª Marcha das Margaridas, que será realizada em agosto de 2023, em Brasília/DF.

Foto: Ellen Dias

No segundo dia, no eixo “Acesso à terra”, o painel “Reforma agrária: uma agenda necessária para o resgate de um projeto de soberania nacional” destacou a importância do ATER e do processo agroecológico, e também explicitou, tanto na mesa quanto no plenário, a necessidade da luta pela proteção dos territórios, com ênfase aos danos provocados pelas grandes coorporações de energias renováveis, sobretudo as eólicas, que ameaçam programas como o próprio ATER, o PRONAF e o P1+2, como temos ouvido relatos de muitas pessoas falando sobre cisternas que foram danificadas nos territórios onde essas empresas se instalam. A intervenção de Rejane Medeiros, da Marcha Mundial das Mulheres e do Centro Feminista 8 de Março, ressaltou isso: “Território agroecológico não tem energia para parque eólico”. 

Foto: Wigna Ribeiro

No terceiro dia de atividades, no eixo “Sistemas agroalimentares e alimentos saudáveis”, aconteceu o painel “Agricultura familiar e agroecologia: produzindo comida de verdade para o povo nordestino”, focado no combate aos agrotóxicos e ressaltando que água também é um alimento, o que reforça a importância das cisternas e dos sistemas de reuso de água. O painel abordou ainda a importância das políticas de ATER e de crédito para a produção de alimentos saudáveis e sem veneno. 

Foto: Wigna Ribeiro

No dia seguinte, no eixo: “Acesso aos mercados e cooperativismo solidário”, o painel “Acesso aos mercados como instrumento de fortalecimento do cooperativismo solidário na agricultura familiar do Nordeste”, ressaltou que para ter acesso ao mercado é importante incluir o conjunto dos sujeitos que fazem parte do processo de produção, mulheres, jovens, trabalhadores da agricultura familiar e da economia solidária. Foi debatida também a importância das políticas de acesso aos mercados institucionalizados, como é o exemplo do PECAFES (Programa Estadual de Compras Governamentais da Agricultura Familiar e Economia Solidária), projeto de autoria da deputada estadual Isolda Dantas (PT/RN) que determina que pelo menos 30% das compras governamentais de gêneros alimentícios tenham essa origem, e  tem inclusive inspirado outros estados do Nordeste a desenvolver iniciativas similares. 

Foto: Luana Tayze

No domingo, no eixo “Protagonismo das mulheres”, o painel “Soberania alimentar e nutricional, acesso a crédito e organização das mulheres rurais”, teceu críticas ao sistema capitalista de produção de alimentos, que visa somente o lucro, e destacou a importância da sustentabilidade da vida, do trabalho das mulheres e dos quintais produtivos. “Nós, que fazemos o movimento de mulheres, que temos construído uma outra lógica de desenvolvimento, nós temos dito que precisamos alterar a economia! A gente tem que botar a economia de cabeça pra baixo: se a economia do atual modelo tem como centro o lucro e a vida está lá embaixo; a economia feminista pra nós ela vira, e nós temos que botar a vida no centro”, destacou Conceição Dantas, da Marcha Mundial das Mulheres.

Foto: Luana Tayze

Durante a feira aconteceu ainda um debate sobre “Comida de verdade nos centros urbanos”, de iniciativa da AACC e do mandato popular da vereadora Brisa Bracchi (PT).

Foto: Reprodução/ASA

A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) também realizou diversas atividades dentro da programação, como a reunião da coordenação executiva e de parceiros; e uma exposição de fotos, vídeos e outros materiais que evidenciam experiências que vem sendo potencializadas no Corredor Seco Centroamericano, Grande Chaco americano e Semiárido brasileiro, através do Projeto DAKI-Semiárido Vivo, executado pela AP1MC/ASA, no Brasil, e pela Fundapaz, na Argentina. Além disso, a membros da coordenação Executiva e representantes de algumas das mais de três mil organizações que compõem a ASA, entregaram a “Carta da ASA Por um Semiárido Vivo” à governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, do Partido dos Trabalhadores (PT).O documento reúne propostas de políticas públicas de convivência com o Semiárido, consideradas prioritárias para retomar o projeto de convivência, paralisado por reduções drásticas de orçamento e até pela plena extinção de alguns programas.

Foto: Reprodução/ASA

Também durante a I Fenafes, o Centro Feminista 8 de Março realizou o lançamento do projeto “Mulheres construindo soluções socioambientais, solidárias e inovadoras”, fruto de uma parceria entre o CF8 e a União Europeia.

Fotos: Wigna Ribeiro

Segundo a organização do evento, a I Fenafes reuniu mais de 1.200 agricultores e agricultoras que comercializaram cerca de 200 toneladas de alimentos durante os cinco dias da programação. Foram cerca de 500 expositores e representações de 150 cooperativas e associações. Cerca de 12 mil pessoas marcaram presença durante a programação, que aconteceu no Centro de Convenções de Natal (RN). 

* Com informações da Articulação Semiárido Brasileiro e Brasil de Fato. 

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