Tabuleiro – Itapipoca: agricultores e agricultoras vivendo e descobrindo os semiáridos

 

Saímos de Tabuleiro Grande às 14h na quinta, 5 de junho. 16 agricultores da região rumo à Itapipoca, CE. Na concentração, antes de sair para a viagem da primeira visita de intercâmbio entre agricultores e agricultoras familiares para multiplicação de experiência interestadual do P1+2 do Centro Feminista, a turma estava inebriada de expectativas e curiosidades. “Vai demorar?” Uma voz lá do fundo da van perguntava a cada cidade que atravessávamos.

Depois de uma noite de descanso da viagem de mais de 8h, cedinho, às 7h, todos estavam prontos, tomados café da manhã e na calçada da pousada dizendo: “Vamos?”. Gleiciany, do CETRA, nossa guia da visita chegou pontualmente às 7:30h, quando partimos para o nosso roteiro: comunidade de Lagoa de Juá e Caldeirões, passando pelas unidades produtivas familiares que possuem a Cisterna Calçadão, Barreiro Trincheiro, Tanque de Pedra e Cisterna Enxurrada.

Chegando em Lagoa de Juá, Dona Mazinha foi nos receber e, carinhosamente, deixando todo mundo a vontade convidou para entrar em sua casa, conhecer o seu quintal e sua cisterna calçadão. Antes mesmo de conhecer a tecnologia, uma chuva de perguntas e respostas de como é a região em que dona Mazinha mora e como ela consegue desenvolver seu trabalho ali: “Antes das cisternas, a gente ia buscar água no rio. Era muito desgastante fazer esse caminho carregando latas. Agora não precisamos mais fazer isso, mas a falta aqui é grande. E a gente tem que usar a inteligência pra economizar e prosperar as plantas da gente”. Foi aí quando nossa anfitriã mostrou as muitas garrafas peti com água. “Para quê tanta garrafa com água? Pergunta Rodrigo, jovem agricultor de Tabuleiro. Ao que dona Mazinha explica: “aparo água da chuva em toneis e também nas garrafas e uso para as plantas menores. Assim não tenho que gastar a água da cisterna. Tento deixar o máximo de água para os períodos de seca. Geralmente entre outubro e novembro, a coisa aperta ainda mais”.

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Vendo as plantas do quintal, Ana Lúcia, agricultora de Tabuleiro pergunta: “E essa aqui?”. Era a Meracilina, planta usada para tratar de inflamações, em geral. Foi quando descobrimos que dona Mazinha é agente de saúde e faz medicamentos caseiros, conhecendo muito bem diversas plantas medicinais. Ao redor da cisterna, uma plantação de milho que explicou: “depois que fui pra um intercâmbio na Paraíba, descobri que poderia aproveitar essa região próxima da cisterna para cultivar plantas que não tivesse uma raiz muito espalhada, sabe? Mais um jeito de aproveitar a terra e a água.”.

“Fui uma das primeiras beneficiadas desse projeto do P1+2 aqui na região. Mas não foi fácil convencer o meu marido. Ele não queria que eu saísse para as reuniões, formações, mas eu insisti, até ele ver a importância da minha participação na organização”, diz dona Mazinha. E Gleiciany completa: “foi essa organização que levou à formação da feira agroecológica e solidária de Itapipoca”.

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Da casa de dona Mazinha, fomos conhecer o barreiro trincheiro que ficava no caminho para a comunidade de Pessoa, onde na casa de Dôra e Pessoa (sim, este nome mesmo), fomos recebidos com um lanche diversificado e saímos fortalecidos para a caminhada de 1 quilômetro a pé até o tanque de pedra que é destinada para cinco famílias cadastradas e toda a comunidade também utiliza. Na caminhada, muitas perguntas e observações. Os agricultores colocavam suas preocupações com o futuro da agricultura familiar como a falta de interesse e oportunidade dos jovens para trabalhar no campo, como também apontavam as plantas que conheciam e as que queriam conhecer. Do alto do tanque de pedra, todos ficaram impressionados com a beleza da paisagem, com a maravilha natural e com a possibilidade de vida que aquela água proporcionava para aquele local.

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De volta para a casa de Pessoa, conhecemos a sua cisterna enxurrada, o quintal produtivo e a área de reflorestamento. Uma manhã cheia de andanças, vivências e descobertas que nos fez/faz pensar a diversidade e a riqueza dos muitos semiáridos que existem em nosso país.
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