No 8 de março, mulheres colocam em evidência conflitos territoriais que ameaçam seus direitos e as alternativas de resistência

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“As revoluções diárias não param. As mulheres estão sempre na luta.” É o que diz Conceição Dantas da Marcha Mundial das Mulheres, Mossoró. O 8 de março, dia internacional da mulher, é para as feministas um dia de visibilizar as bandeiras do movimento. Em Mossoró, a Marcha se organiza para realizar um ato de rua no sábado, 7, com mais de 500 mulheres da zona urbana e rural dos municípios de Assu, Tibau, Baraúna, Caraúbas, Apodi, Upanema, Governador, São Rafael, Grossos, Pendências, Itaú, Mossoró e outros que ainda aguardamos retorno.

Com o tema “Corpos e territórios: resistências e alternativas das mulheres”, neste ato do oito de março, o movimento levanta questões como a ofensiva do capitalismo patriarcal gera violência e cerceia os direitos sobre os corpos das mulheres e suas vidas nos territórios em que vivem. Segundo Kika Carvalho, da MMM do município de Apodi, “os recursos naturais se esgotando, os territórios explorados e invadidos pelo neoliberalismo somado ao patriarcado violam a vida das mulheres, quer trabalhem em solo ou no mar”.

Como denúncias, as mulheres trazem os projetos das grandes obras que desestabilizam as suas vidas como o Perímetro Irrigado do DNOCS nas terras da Chapada do Apodi que entregará as terras das mulheres e homens do campo ao agronegócio e contaminará solo, água e, consequentemente, toda a população da região. Assim também acontece em Tibau e em toda a costa branca potiguar, a especulação imobiliária e projetos de parque eólico também ameaçam o território da agricultura familiar e pesca artesanal. Tatiana Muniz, agricultora e pescadora, da MMM de Tibau, fala que: “esses grandes projetos não são bons para nós da agricultura, que pescamos ou catamos mariscos porque tiram as nossas terras e contamina as águas do mar e baixo da terra”. “E é também é ruim para nós que produzimos no quintal de casa, seja plantando ou beneficiando o peixe como fazem muitas mulheres lá em São Rafael, a gente também fica exposta e tem medo da violência e da prostituição que vem junto com esses projetos”, acrescenta Tânia Silva, também pescadora do município de São Rafael.

Outra grande questão que está sendo tocada nacionalmente é o tema da água, a qual as mulheres apresentam alternativas: “água aqui nunca foi coisa fácil, pois aqui é o semiárido, mas a gente economiza, tem filtros pra reutilizar a água de casa nas plantas, armazena em tambores e agora nas cisternas, a gente sempre dá um jeito” comenta Kika Carvalho, durante uma discussão sobre o projeto do DNOCS.

Sobre essa questão Conceição Dantas faz uma interessante comparação: “No nordeste não podemos combater a seca, pois é como se falássemos em combater a neve, não se ouve discussões de como combater o gelo, pois as pessoas convivem com a neve e é assim também que deve ser no semiárido, é convivência com o a região. Mas temos que questionar sim a mercantilização da natureza, da água.”

“Historicamente, em todas as suas versões, a data está diretamente relacionada à organização e luta das mulheres trabalhadoras. Neste 8 de março, não será diferente. As mulheres trabalhadoras estarão nas ruas pra denunciar as opressões e mostrar nossas resistências!”, é o que fala Adriana Vieira, militante da Marcha Mundial das Mulheres.

 

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