Produção agroecológica e combate à violência contra a mulher: o trabalho de construção de um outro mundo possível

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O mundo que a gente quer não tem violência contra a mulher” é o que diz Sueli Oliveira, do Centro Feminista, quando começa a oficina sobre Combate à Violência contra a mulher com o grupo de mulheres: Unidas para Vencer, dos Assentamentos Sombreiro e Sabiá, em Upanema.

O tema da discussão foi sugerido pelas próprias mulheres acompanhadas pelo Centro Feminista através do Projeto “Do Quintal ao mar”, co-financiado pela União Europeia. O grupo costuma se reunir toda semana para trocar ideias e experiências sobre os projetos produtivos, suas vidas e a sua auto organização.

Pela manhã, a equipe do CF8 visitou os quintais e acompanhou a produção das mulheres. Cada uma faz sua produção de acordo com suas possibilidades e criatividades. Dona Maria do Socorro do assentamento Sabiá, mostra orgulhosa o quanto a sua produção cresceu e fala das suas sementeiras: “Eu acho bom colocar as sementes aqui e depois sair espalhado pelo quintal, sabe?”. Ao final de cada visita, as mulheres confirmam a presença na reunião do grupo na parte da tarde.

Em grupos, as mulheres discutiram quais as formas de violência contra a mulher que conhecem, quais as mais frequentes e como lidar no dia a dia com essas violências. Mesmo sendo um tema difícil de falar, aos poucos as mulheres foram colocando suas opiniões e dúvidas.

Em um segundo momento, uma conversa sobre a Lei Maria da Penha serviu para desmistificar: “Em briga de marido e mulher, a gente mete a colher!”. O exemplo das moradoras do Córrego do Euclides, bairro de Recife, PE, que apitavam de suas casas sempre que percebiam que alguma delas estava passando por alguma situação de violência, evitando a continuação da agressão, inspirou e contagiou as mulheres para a união no combate à violência sexista: “temos que proteger umas às outras, não podemos ficar caladas”, diz Rita de Cássia, Ritinha, do assentamento Sombreiro.

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E o que o tema da violência contra a mulher tem a ver com uma produção dos quintais, produção agroecológica? A agroecologia considera saberes e práticas empíricos, das agricultoras e agricultores e povos tradicionais, e científicos visando uma agricultura sustentável sem agredir o meio ambiente e favorecendo o bem-social, um outro mundo possível. Se as mulheres são agredidas, se não têm seus direitos respeitados, se eu trabalho é invisibilizado, que outro mundo é este que não contempla as mulheres, que são mais da metade da população mundial?

Giovanna Lopes, técnica do CF8, reforça que: “Sempre aprendemos muito na troca com as mulheres. Não só sobre o tratamento da terra, água e sementes, mas sobre como juntas podemos lutar e fazer um mundo melhor para todas e todos. Sem violência contra a mulher e com autonomia. Por isso é tão concreto dizer que sem feminismo, não há agroecologia”.

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