União e esforço coletivo: Moradoras e moradores do P.A. Maurício de Oliveira organizam mutirão de construção de reservatórios de 16 mil L para garantir acesso ao P1+2

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Um dos critérios para que as famílias tenham acesso ao Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), projeto desenvolvido pela Articulação Semiárido Brasileiro, é que as mesmas já tenham em suas residências um reservatório coberto com capacidade de 16 mil litros de água destinada para o consumo humano. Na maioria das vezes as famílias já foram contempladas com essa tecnologia através do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), também desenvolvido pela ASA. Mas no Projeto de Assentamento Professor Maurício de Oliveira, zona rural do município de Assú/RN, algumas famílias que não haviam sido contempladas com o P1MC e que tinham o desejo de acessarem o P1+2 se organizaram coletivamente para construir os reservatórios de 16 mil litros por conta própria.

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Ao saberem que o P1+2 seria executado mais uma vez na comunidade, as famílias que ainda não atendiam a este requisito começaram a se reunir e definir uma estratégia para resolver o problema. Deste modo, cada família ficou responsável pela aquisição dos materiais para a construção da tecnologia e a construção em si foi realizada através de mutirões, nos quais as famílias ajudaram umas às outras, conforme explica o presidente da associação de Maurício de Oliveira, Railson Baracho de Oliveira, conhecido como Neném: “A ideia surgiu da necessidade que a gente tinha né? Antes a gente só tinha aquela caixa d’água de mil litros. Quando a gente teve a certeza que o projeto vinha mesmo, a gente se organizou, fez uma reunião com os outros que tinham interesse e que não tinham a cisterna de 16 mil litros, e fez um mutirão pra construir. Cinco famílias participaram e cada uma deu um jeito de pagar pelo próprio material”.

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“A gente vendeu uns animais que criava e conseguiu o dinheiro do material porque a gente precisa muito dessa cisterna, aqui tem muita dificuldade de água” comenta Maria das Dores Oliveira, uma das moradoras da comunidade que participou do mutirão. Ao todo, foram seis construções por conta própria em Maurício de Oliveira.

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Outra família que também se engajou nesse processo foi a de Maria da Conceição Silva de Araújo, e a agricultura diz já comemora os resultados da iniciativa: “minha cisterna de 16 mil litros já tem água, já está servindo. E a outra vai ser muito boa também, a gente vai poder aumentar a produção do nosso quintal”.

De acordo com Railson, essa ação só deu certo por causa do esforço coletivo: “Se fosse cada um sozinho, não conseguia. A gente vê que a visão das pessoas está mudando, quem antes só pensava no individual agora já entende que tem que ser uma coisa que seja boa pra todo mundo. Aqui na comunidade é assim, a gente busca que tudo seja feito de forma coletiva”.

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Rejane Medeiros, coordenadora do projeto pelo CF8, ressalta que “a auto-organização, o esforço e a iniciativa das famílias têm que ser cada vez mais valorizados, incentivados. Elas sabem a importância da cisterna tanto para o consumo humano quanto para produção, pois além de serem tecnologias de convivência com o semiárido, garantirão uma maior autonomia da família durante o período de estiagem”.

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