Encontro comunitário: organização popular e solidariedade na convivência com o semiárido

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Parte do encerramento do Programa Uma Terra, Duas Águas (P1+2), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), executado pelo Centro Feminista, o encontro comunitário aconteceu no assentamento São Cristóvão, na casa de Reginaldo Rocha, mais conhecido como Fia que, além de ser cisterneiro, conseguiu, dessa vez, ser contemplado também com sua cisterna. Na ocasião, cerca de 50 agricultoras e agricultores que receberam suas tecnologias, avaliaram o processo de construção e uso das suas cisternas.

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Entre as histórias e avaliações do programa, Chaguinha, do Assentamento Cordão de Sombra, conta que, de início, achava que não conseguiria ser contemplada: “Meu terreno é cheio de pedra, eu achava que não ia dar certo. Depois que cavaram e viram que dava, eu chega chorei de feliz porque tá faltando água faz mais de mês no assentamento”. Histórias como essa e a de dona Maria, de Cabelo de Negro, que não tinha condições de bancar toda a contrapartida e a comunidade fez mutirão pra que as cisternas fossem construídas, demonstram o esforço da equipe do P1+2 e das beneficiárias e beneficiários para que o projeto fosse executado: “Organização popular e solidariedade foram bases essenciais”, diz Rejane Medeiros, coordenadora do projeto.

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Jucileide Rodrigues, da equipe do P1+2 do Centro Feminista, também reforça o sentimento de união “regando a convivência”: “aqui todo mundo sabe um pouco das dificuldades de cada um e cada uma, mas os mutirões, o esforço e o sentimento de união fizeram com que essas dificuldades não fossem maiores do que a alegria que é ter a tecnologia que possibilita que haja uma vida melhor na nossa região”.

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Sobre a importância do programa como um todo, o que inclui capacitações, intercâmbios, trocas, além da cisterna, Reginaldo Silva, de Cordão de Sombra, faz uma reflexão bastante cheia de esperança: “Apesar da idade avançada, nunca é tarde pra quem quer ser gente. E a gente é mais gente quando tem mais condições de trabalhar e conquistar. Eu aprendi muita coisa com esse projeto e vou poder plantar mais. Tô muito feliz com isso”.

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O corte de 90% do programa de cisternas, pelo atual governo federal, é algo que preocupa inúmeras famílias da região. Quanto mais se conversa com as pessoas que tiveram acesso ao P1+2, mais se tem a certeza do quanto as políticas públicas de convivência têm mudado, para melhor, o semiárido. Por isso, o grupo reunido no encontro destacou a necessidade e o compromisso de constante organização popular na luta por direitos.

“É no semiárido que a vida pulsa! É no semiárido que o povo resiste!”

 

 

 

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