P1+2 e a articulação das mulheres pela convivência no semiárido

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A convivência com o semiárido deve se dar na produção e na forma de viver sem relações de exploração e com igualdade. Sempre pensando nisso, além da gestão da água, agroecologia e economia solidária, o Centro Feminista traz para a centralidade dos debates, seja nos cursos de capacitação, na própria execução do programa e/ou nos espaços de discussões, no geral, que é preciso superar as desigualdades entre homens e mulheres, visibilizando o trabalho produtivo e reprodutivo e buscando um semiárido melhor para todas as pessoas.

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Risolene, de Hipólito, reforça o quanto as atividades externas animaram as mulheres: “Coisa boa também foi que as mulheres passaram a sair de casa e querer participar de reuniões, encontros e estão animadas com o que aprendem”. Historicamente condicionadas aos espaços privados, as mulheres precisam estar nos espaços públicos, socializando, construindo conhecimento e trocando experiências. Isso deixa o semiárido mais rico: “Posso dizer que, depois da cisterna, nunca mais eu tomei água de CAERN, só de chuva. Agora eu vou plantar muito ao redor da cisterna pra mostrar como é que se trabalha com ela. Passo o verão todinho comendo melancia, feijão e macaxeira. Com mais água eu vou ter muito mais pra plantar e pra colher. Essas coisas eu aprendi com as andanças e, mesmo velha, eu ainda quero andar mais pra aprender mais”, é o que diz Dona Neta, do P.A Maurício de Oliveira, em Assu.

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Chaguinha, de Cordão de Sombra, destaca que foi a partir da organização das mulheres que conseguiram se articular para receber as cisternas: “Uma luta das mulheres que saem por aí andando, nas reuniões que muitos dizem que não valem de nada, que fizeram a gente conseguir participar desse programa das cisternas”. E Maria Celly, também de Cordão de Sombra, afirma a diferença que é ter a cisterna em seu nome: “Eu tenho muito orgulho que essa cisterna é no meu nome e eu vou poder plantar o que quiser e não o que meu marido disser”.

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“Eu sou feliz no lugar que estou, com minha cisterna, eu sento na sombra pra olhar pra ela”, completa Dona Neta. É somando todas essas falas que é possível perceber que as experiências das mulheres rurais ensinam sobre resiliência, sobre busca de autonomia e sobre o quanto é importante que se propicie espaço, vez e voz para que a articulação das mulheres aconteça e, assim, haja uma boa convivência com o semiárido.

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