Resistência na Chapada do Apodi vira filme

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A luta da Chapada do Apodi contra o projeto do agronegócio é o enredo do documentário “Chapada do Apodi, Morte e Vida”. Com um caráter de denúncia, o vídeo mostra como a Chapada do Apodi, que fica entre Ceará e o Rio Grande do Norte, foi prejudicada pelo projeto de irrigação implementado pelo Departamento Nacional de obras Contra as Secas (DNOCS) no lado cearense, e a resistência do lado potiguar da Chapada pela preservação da agroecologia desenvolvida no local.

Com direção de Tiago Carvalho, fotografia de Paulo Castiglioni e edição de Arthur Frazão, o curta-metragem faz parte do projeto Curta Agroecologia, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), que tem como objetivo dar visibilidade às experiências agroecológicas em curso no Brasil.

De acordo com Tiago Carvalho, diretor do curta, “é preciso retratar a realidade da Chapada do Apodi porque o embate de modelos de desenvolvimento que está acontecendo ali é uma questão de vida ou morte. Se nos perímetros irrigados vimos condições degradantes de trabalho, contaminação e violência, no lado da Chapada que fica no RN vimos trabalho digno, uso responsável dos recursos naturais, além de produção num volume surpreendente, se pensarmos que em 2013 houve a pior seca dos últimos 50 anos. Curioso: a estiagem não tira o sono dos agricultores familiares, que estão preparados pra conviver com ela. Mas o projeto de irrigação do DNOCS, sim”.

Para o professor e advogado João Paulo Medeiros, a obra é importante para esclarecer o porquê da resistência contra o projeto do DNOCS nas terras da Chapada: “É um vídeo importante para mostrar o quão perigoso é para a saúde das pessoas e da terra, um projeto que só beneficia o agronegócio”.

O filme está no vímeo: http://vimeo.com/73404923 e circulando pelas diversas redes sociais.

Chapada do Apodi

A Chapada do Apodi fica entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. No fim dos anos 80 o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) implementou um projeto de irrigação no lado cearense. A área irrigada foi ocupada por cinco grandes empresas de fruticultura, desestruturando a produção de milhares de pequenos agricultores. O uso em larga escala de agrotóxicos – inclusive com pulverização aérea – contaminou os canais de irrigação que servem às lavouras e às comunidades.

Em Limoeiro do Norte, Quixeré e Russas – cidades cearenses por onde se estende o perímetro irrigado – a incidência de câncer é 38% maior do que em cidades com população semelhante, mas que não estão expostas a tanto veneno. Um terço dos trabalhadores das empresas fruticultoras já sofreu intoxicação. O líder comunitário Zé Maria do Tomé, que denunciava o envenenamento da água, foi assassinado há três anos. O gerente de uma das empresas fruticultoras é acusado de ser o mandante do crime.

Em 2013 o mesmo DNOCS deu início a um projeto bastante semelhante no lado potiguar da chapada, onde vivem cerca de 6 mil agricultores familiares cuja produção orgânica de frutas, hortaliças, cereais, mel e carne caprina é uma referência nacional. O projeto do DNOCS prevê o cultivo de cacau e uva no sertão potiguar e foi elaborado sem qualquer participação das comunidades afetadas. Os agricultores familiares agroecológicos da Chapada do Apodi, contudo, estão organizados para resistir e adaptar o projeto às reais necessidades de quem vive e já produz – e muito – no semiárido brasileiro.

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