SEM PARAR DE MEXER!

Continuando em Rio Novo, Apodi, encontramos a experiência do trabalho coletivo de seis mulheres que cultivam bananeiras e produzem doces caseiros pra vender.

Além do parentesco, Carmem Gomes, 44; Maria Elenita, 49; Maria Genilda, 52; Patrícia Luiza, 37; Maria Dalvaneide, 35 e Gracilene Nascimento, 26 participam da Associação comunitária de Rio Novo e lá se envolveram com o projeto em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento, CONAB, na produção de doces caseiros com mais de 30 mulheres. Três tipos de doces são produzidos na comunidade: de leite, de mamão e de banana: “Como o projeto exigia que a produção do doce e da matéria prima fossem na comunidade, nós, eu e as meninas, assumimos esse desafio de cultivar banana e produzir o doce”, diz Dalvaneide que continua explicando: “Mas o projeto dura um certo tempo e para. Quando produzimos pra CONAB, a gente já tem venda garantida. Agora, não. Agora temos que vender por nós mesmas. E a gente tinha duas escolhas: continuar ou acabar com o nosso trabalho. E mesmo com toda dificuldade e falta de dinheiro pra investir, decidimos continuar. O apoio do Ater Mulheres chegou na hora!”

 

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Com o ATER Mulheres, o projeto coletivo das bananeiras foi aprimorado, assim como foi possível realizar a troca de equipamentos, promovendo a continuidade e em busca da sustentabilidade do trabalho dessas mulheres. Patrícia fala que: “Compramos carro de mão, carroça, criamos uns instrumentos pra facilitar nosso trabalho de plantar, carregar as bananas, pesar, armazenar, fazer o doce e vender”. E ressalta: “é um trabalho duro, mas a gente se ajuda, se reveza entre a gente, quando uma não pode a outra vem, e a gente conversa, ri juntas. É difícil, mas é bom também”.

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O trabalho no bananal é encarado pelas mulheres com muito afinco traz bons resultados: “tô me sentindo realizada. Melhorou a minha renda, a gente coloca as contas em dia, compra material escolar das crianças, mais comida boa em casa, tudo fruto do meu trabalho. Tudo melhorou” diz Maria Elenita. Ao que completa Carmem: “Sem falar que é um sonho pra nós que somos domésticas e agricultoras, poder melhorar nossa casa, botar cerâmica e ter um lazer, né?”.

Dalvaneide avalia o trabalho coletivo como um processo e compara com a convivência a ajuda mútua que se dão: “Todo dia tem que aguar, ajeitar as mangueiras. A gente tá aprendendo lidar com o cultivo da banana e também a se entender, cada uma com suas realidades: uma mãe doente, o cuidado com os filhos, e assim a gente vai levando”.

Em meio à conversa, Maria Genilda revela: “O doce de banana, você não pode parar de mexer. Mexe do início ao fim. E o segredo do ponto é quando começa a franzir em cima e o cheiro fica diferente”. Assim é a luta diária destas e tantas outras mulheres do mundo que, como o doce de banana, não podem parar de mexer rumo à igualdade e autonomia.

 

 

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