Sementes de vida e organização das mulheres

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A produção agroecológica promove a biodiversidade, a soberania alimentar, saúde e renda pro campo e pra cidade, e a auto organização das mulheres garante que a agroecologia possa se multiplicar. Assim acontece com o projeto de plantação do milho crioulo. Uma experiência para alimentar o fazer agroecológico, cultivar a vida e fortalecer a auto organização das mulheres.

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A ideia de cultivo do milho de semente crioula nasceu de uma preocupação e demanda especial das mulheres do RN. Através do projeto “Redesenhando a vida, transformando o semiárido”, co-financiado pela União Europeia, o Centro Feminista consegue acompanhar a produção e organização das mulheres da região para a produção.

A necessidade se deu a partir do diálogo das mulheres por uma ação de negação às sementes transgênicas que estão cada vez mais presentes na alimentação do dia a dia, especialmente o milho através do cuscuz. As mulheres passaram, então, a se organizar para buscar sementes crioulas, produzir em seus quintais ou áreas coletivas. Foram realizados cultivos de milho crioulo pelas mulheres nos municípios de Mossoró, Apodi, Upanema e São José de Mipibu. A boa notícia é que o teste de transgenia, realizado em parceria com a UERN, confirmou que as sementes utilizadas neste projeto estão livres de modificações genéticas. O próximo passo será o beneficiamento do milho.

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Ivonilda Sousa, mais conhecida como Nova, do grupo de Mulheres Juntas venceremos, de Palmares, Apodi, conta que a organização do trabalho foi através de uma reunião do Centro Feminista e Comissão de Mulheres do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do município. Ela explica que nem todas as 16 mulheres do grupo produzem o milho crioulo, mas as 5 que se dispuseram a plantar estão muito felizes com a colheita: “cada uma cuida do seu quintal, colhe e, juntas, fazemos o cuscuz do milho crioulo. É muito bom saber que estamos comendo uma semente sadia, que não contem veneno. O melhor é que a gente tá contribuindo com a saúde das nossas famílias e da nossa comunidade.”

“O cuscuz é um dos alimentos que a gente mais gosta de comer aqui no nordeste. Tenho certeza que um cuscuz de milho crioulo é muito mais gostoso. Quando a gente conseguir beneficiar a nossa produção, o cuscuz das mulheres será um sucesso”, diz Neneide Lima, agricultora do Assentamento Mulungunzinho, zona rural de Mossoró, e da coordenação da Rede de comercialização solidária Xique Xique, e completa: “é um sonho poder comercializar esse cuscuz aqui pela rede, e tá perto de se realizar.”

Esta atividade do cultivo de milho crioulo vem contando com parcerias importantes como a Rede Xique Xique, STTR Apodi e Projeto Geração Solidária. E é desta forma, a muitas mãos, que germina as sementes de vida e crescem as organizações das mulheres.

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