Território, corpo e trabalho: Feminismo em marcha

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Em resistência ao sistema capitalista, colonialista e patriarcal, nós, da Marcha Mundial das Mulheres construímos alternativas, a partir do feminismo, fundamentadas na autonomia e na autodeterminação das mulheres e dos povos. Nesta 4ª Ação internacional, a discussão, o combate e a construção de alternativas têm como eixo principal o direito ao nosso corpo, trabalho e território.

A mercantilização da natureza, tratada como um recurso inesgotável pelos mercados financeiros especulativos ocasiona crises ambientais (terra, água, minerais), climáticas, econômicas e políticas que atingem diretamente as nossas vidas quando modificam nosso território e exploram nossos corpos e nossos trabalhos.

O modo de produção capitalista transfere custos de produção às mulheres e ao trabalho reprodutivo que realizam (como cuidar das pessoas, preparar os alimentos, realizar a limpeza, etc.). Somos nós, as mulheres, gestoras da precariedade em nossas casas e em todos os espaços. E o patriarcado combinado ao capitalismo não se apropria somente do nosso trabalho, mas também dos nossos corpos na divisão sexual do trabalho instrumentalizada, na instituição do casamento heterossexual e da maternidade como norma, às vezes promovendo a prostituição, outras vezes condenando as mulheres na prostituição e perseguindo as mulheres que tinham conhecimento sobre métodos contraceptivos.

Defendemos, então, a sustentabilidade da vida humana acreditando que mudanças reais no modo de produção e reprodução e nos padrões de consumo com o reconhecimento do trabalho das mulheres e o compartilhamento das tarefas entre homens, mulheres e Estado, podem gerar uma relação harmônica entre a humanidade e a natureza.

Buscamos o direito de viver nossa sexualidade sem imposição da heteronormatividade e a defesa do livre exercício da sexualidade sem coerção, estereótipos e relações de poder, de decidir sobre a maternidade ou não e de viver sem assédio e violência.

Assim como acreditamos que nossos corpos são nossos territórios, o local em que vivemos também nos pertence porque é onde produzimos e nos desenvolvemos e, por isto, não podemos aceitar as investidas do agroneógcio e de multinacionais alterando o meio ambiente e nossa forma de viver. Afirmamos que a soberania alimentar é estratégica para a transformação da sociedade, porque orienta outra forma de organização da produção, distribuição e consumo de alimentos, em oposição à lógica capitalista do agronegócio.

Reivindicamos uma profunda democratização do Estado que implique romper com os privilégios da classe dominante, que gere ações de despatriarcalização e descolonização, e que garanta o sentido público do Estado, com ações emancipatórias construídas com base na soberania e na participação popular e em políticas de integração entre os povos, que se baseiem nos princípios de solidariedade, reciprocidade e redistribuição, em oposição à lógica imperialista e colonialista da exploração.

Nossa defesa da desmilitarização questiona o papel da elite do poder econômico nas intervenções militares realizadas pelos Estados, que em todo mundo resultam no controle de territórios com riquezas naturais.

Lutamos ainda pelo direito à comunicação e pela democratização dos meios de comunicação, para garantir a liberdade e pluralidade de informação, a infraestrutura das comunicações e da internet combatendo a lógica mercantil da propriedade intelectual.

Nós mulheres estamos liderando resistências pacíficas contra as companhias mineradoras, multinacionais e do agronegócio em diferentes territórios do mundo, enfrentando a polícia em manifestações e ataques constantes diante da nossa organização e denúncia. Nós mulheres estamos construindo e visibilizando as formas cotidianas de resistência. Estamos propondo mudanças constitucionais e contribuindo aos processos de paz. Estamos desenvolvendo nossos próprios meios de comunicação – incluindo os considerados não convencionais, como as “batucadas” e o teatro de rua – e produzindo conteúdos e informações sobre a realidade.

Com nosso trabalho e conhecimento histórico, desenvolvemos em distintas partes do mundo, um grande número de experiências alternativas de gestão da vida, como a agroecologia e a economia solidária por uma vida livre e sem violência, com justiça social e igualdade entre homens e mulheres. Vamos criando novas culturas, sons e ritmos, pintando as redes, ruas e roçados, seguindo em marcha até que todas sejamos livres.

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